domingo, 11 de maio de 2014
European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess
Philippe Legrain explica o erro colossal cometido pela Europa, na tentativa de gestão da dívida pública (euro), que veio a mergulhar-nos numa incomensurável crise política, social e económica.
Em 2008 o défice de Portugal encontrava-se a 68% do PIB, em 2011 a 110% do PIB e atualmente o défice cifra-se em 129% do PIB. Rebentou pelas costuras.
A Europa deixou-se dominar pelo setor bancário que dominou os governos. O esforço exigido aos portugueses resultou numa dívida impagável!!!
"O que teria sido sensato fazer na altura – e que era dito em privado por muita gente no FMI e que este acabou por dizer publicamente no ano passado – era uma reestruturação da dívida grega. Como o Tratado da União Europeia (UE) tem uma regra de “no bailout” [proibição de assunção da dívida dos países do euro pelos parceiros] – que é a base sobre a qual o euro foi criado e que deveria ter sido respeitada – o problema da Grécia deveria ter sido resolvido pelo FMI, que teria colocado o país em incumprimento, (default), reestruturado a dívida e emprestado dinheiro para poder entrar nos carris. É o que se faz com qualquer país em qualquer sítio. Mas não foi o que foi feito, em parte em resultado de arrogância – e um discurso do tipo ‘somos a Europa, somos diferentes, não queremos o FMI a interferir nos nossos assuntos’ – mas sobretudo por causa do poder político dos bancos franceses e alemães. É preciso lembrar que na altura havia três franceses na liderança do Banco Central Europeu (BCE) – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes três franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos três franceses. Foi isto que provocou a crise do euro."